Já estavamos naquela "brincadeira" a pouco mais de uma semana. Desde que seu criador veio vê-la que estava estranha. Ela ia ao meu quarto enquanto eu dormia, ou melhor fingia, e andava de um lado ao outro, olhando e tocando meus pertencem em meio a escuridão. Eu só percebia o vulto indo e vindo, graças a luz da janela de vidro que entrava pelas frestas da cortina, mas ela via bem no escuro, era um vampira. Quando o vulto se aproximava da cama, onde eu me encontrava, fechava os olhos e me mantinha assim. Ela sentava ao meu lado na cama e então tocava meu rosto e cabelos com carinho e a carícia me fazia dormir. Ao acordar, sempre num sobressalto, eu a procurava em meio a escuridão, acendia o abajur e constatava que estava sozinho. Teria sonhado com ela, ou teria mesmo vindo? Se tratando de Beatrice, sempre ficava na dúvida.
Hoje não foi diferente, mas dessa vez eu não dormi enquando ela acariciava meu cabelo. Me obriguei a ficar acordado, mas não esperava que ela tivesse percebido que não dormia. Ela dizia que nunca pode ler meus pensamentos e novamente a dúvida me tomou por inteiro.